'Com ataque a Beirute que matou líder do Hezbollah, Israel deixa Ocidente impotente 'Diplomatas ocidentais esperavam acalmar os ânimos, mas apenas observaram os acontecimentos de longe com preocupação
- AB Agência Brasil | Divulga Brasil

- 28 de set. de 2024
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O ataque israelense teve como alvo o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah
Foto: Getty Images via BBC
'Com ataque a Beirute que matou líder do Hezbollah, Israel deixa Ocidente impotente'
Diplomatas ocidentais esperavam acalmar os ânimos, mas apenas observaram os acontecimentos de longe com preocupação.
É hora de parar de falar sobre o Oriente Médio estar à beira de uma guerra muito mais séria. Após o devastador ataque israelense que matou o líder do Hezbollah Hassan Nasrallah, parece que a região já foi arrastada para esse cenário.
A série de explosões que atingiram Beirute na noite de sexta-feira (27/9) e na manhã deste sábado (28) foi uma das mais poderosas ouvidas em qualquer uma das guerras do Líbano, me relatou uma amiga que está na cidade.
A morte de Nasrallah foi confirmada pelo Hezbollah em um comunicado, no qual o grupo também prometeu "continuar sua luta" contra Israel e seu apoio contínuo a Gaza e Palestina, defendendo "o Líbano e seu povo firme e honrado".
Segundo os militares israelenses, outros comandantes do Hezbollah também foram mortos durante o que foi descrito como um “ataque direcionado” à sede do grupo em Dahieh, um subúrbio da capital libanesa.
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Mas esse não foi o último bombardeio de Israel na sexta. Os militares israelenses anunciaram que continuariam atacando alvos do Hezbollah e as explosões continuaram na manhã deste sábado, com registros de fumaça no céu de Beirute.
Durante a sexta-feira, antes dos ataques, havia esperanças, embora tênues, de que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu estivesse pelo menos considerando discutir uma proposta de cessar-fogo de 21 dias. Ela veio dos EUA e da França e foi apoiada pelos aliados ocidentais mais significativos de Israel.
Mas em um discurso tipicamente desafiador e por vezes agressivo na Assembleia Geral da ONU em Nova York, Netanyahu não falou sobre diplomacia.
Ele disse que Israel não tinha escolha a não ser lutar contra inimigos selvagens que buscavam sua aniquilação.
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Para Guga Chacra, "decapitação" do grupo extremista equivale à perda de uma "bomba atômica".
O Hezbollah seria derrotado — e haveria vitória total sobre o Hamas em Gaza, o que garantiria o retorno dos reféns israelenses, afirmou.
Longe de serem "cordeiros levados ao abate" — uma frase às vezes usada em Israel para se referir ao Holocausto nazista — Israel estava vencendo, disse ainda Netanyahu.
O enorme ataque em Beirute registrado pouco depois de ele terminar seu discurso foi um sinal ainda mais enfático de que uma trégua no Líbano não está na agenda de Israel.
Seria viável que o ataque tivesse sido programado para dar sequência às ameaças de Netanyahu de que Israel poderia, e iria, atingir seus inimigos, onde quer que estivessem.
O Pentágono, o departamento de defesa dos EUA, disse que não recebeu nenhum aviso prévio de Israel sobre o ataque.



















